sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Adeus anos velhos!!!!


2011. O que falar sobre 2011? Pois bem, em uma, quase, obrigação cyber-cultural contemporânea que nos determina enviar recados por e-mail, deixar textos nas “time lines” das redes socias, não vou ser o diferente e vou refletir e registrar, assim como quase toda a população informatizada do mundo. Sabem que na realidade isso é um bom; meio pasteurizado e massificado, mas de certa forma faz com que as pessoas pensem mais (algumas nem tanto), escrevam mais e por consequência acredito que estão lendo mais. Tenho certeza que pelo advento das redes, pessoas que deveriam ler uma linha por mês, agora, ao menos exercitam seu português, enfim, não é momento para esse tipo de crítica.
Mas preciso dar um pulinho no final de 2010: Tive um ano de extremos e de amplitudes culturais gigantescas. Aprendi muito, inclusive que existem pessoas que se assustam com o aprendizado, mesmo a oportunidade invadindo a vida e penetrando em como um ensaio de osmose. Pulam fora, correm e precisam voltar ao seu mundo. Concluo que na realidade esse negócio de dar oportunidade pode resultar em uma grande decepção. Foi um ano que fui fundo, mergulhei e graças as forças do destino consegui voltar para a minha margem, minha vida. Foi um ano que experimentei e desafiei. Antes que algum estúpido pense merda, digo: não estou falando de drogas, não das  ilícitas, ao menos. Aqui abro parênteses, na vida as drogas de convivência e lícitas podem fazer mais mal que as não permitidas.
Foco Rodrigo, foco! Pelos movimentos de 2010 em todas as esferas, 2011 foi um ano pra mim medíocre materialmente e péssimo! Porém um ano que eu amadureci bastante. Ainda me permito reflexões de outros anos: A cultura é um grande problema, mas o que seria do preto se não fosse o branco. Do silêncio de não fosse o barulho. Acredito que o grande segredo é entender exatamente isso.  E aprendi que para crescer precisamos de alguém igual, forte e que rebata nossas idéias com conteúdo e não apenas por ser medíocre.
Dia desses me deparei com um conceito, excluíndo a rebeldia por ela só, muito interessante. O Lobão diz que o conflito é necessário, pois conflitos geram faíscas e faíscas iniciam o fogo e fogo é vida. Que coisa isso! Muito profundo para o meu momento de vida. Acredito que o pagãs que lêem o texto e conhecem minha esposa, vão entender muito mais fácil. Mas, explico de forma sucinta, o elemento base da minha esposa é o fogo. Eu deixei um 2010 de conflitos, iniciei um 2011 com faíscas e acabei Janeiro desse ano no fogo. Ufa! Que bom ter a minha vida de volta. Com tudo isso 2011 foi um ano de resgate espiritual, emocional e cultural. Um ano de crescimento, já que os 2 últimos eu só faltei, andar pelas ruas de costas. Agora posso respirar novamente e enxergar luzes no final do túnel! Será que esse final do túnel é um 2012 que se apresenta iluminado? Não sei! Acredito que sim.
Acredite também que a luz no final do túnel é o início de um novo tempo, ano e era.
Feliz 2012!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Feliz Natal, do meu jeito e com as minhas crenças.

Eu já fui muito mais radical com as festas de final de ano. Porém passei a entender que devo ao menos explicar para pessoas no que acredito. Replico um belo texto e peço que antes de me desejarem "Feliz Natal", ao menos leiam e entendam no que acredito.




Pessoas Lindas Pagãs ou não...
É Natal dizem os Cristãos,
mas quem nasceu dia 25 de dezembro?

Bom... Vamos do início, a origem do Natal é pagã. Este é mais um dos festivais da Antiga Fé que foram Cristianizados pela Igreja em uma tentativa de expandir sua fé.
Pela historia da evolução religiosa da humanidade, encontramos vários Deuses nascidos no solstício de inverno, vamos juntos nesta viagem, começando por um poema meu ...



Dança da vida
Recordo hoje... a primeira vez que gerei... Eu era Gaia, o
Grande Espírito, vinda através do caos para gerar o princípio.
Após meditar no meu vazio, resolvi te gerar... Nasceste Urano, o
céu, e celebramos o Mistério da Iniciação.
Então, eu quis te tocar... quis a vida e, em minha
capacidade fecunda, me fiz a Terra... Depois, te gerei a vida
sobre mim.
E fomos, desde então, a dualidade sagrada... A terra e o
mato, o sol e a lua, a fêmea e o macho.
Durante séculos, geramos as faces de nossas existência.
Cultivamos e abençoamos cada dualidade e sua união sagrada,
perpetuamos a trindade divina.
Fomos Isis, Osíris e Horus... Maya, Zeus e Hermes...
Bona Dea, Júpiter e Mercúrio... E também fomos nossos
próprios filhos, Perséfone, Apolo, Atenas, Lugh...
O tempo passou e, também nele, nós estávamos...
Mesmo quando fomos negados por nossa criação,
permanecemos... Eu rainha dos céus, portadora do Cálice
Sagrado, e tu meu filho e semeador de minha terra...
Dentro de teus templos, fui a Abelha fecunda de tua
iniciação. Sempre em busca do equilíbrio, nos fazemos
presentes em tudo que geramos, um à espera do outro, um
buscando o outro, um nutrindo o outro. Completando o
mistério e o rito.
Hoje, somos o ciclo da vida no planeta... Tu, meu filho,
sempre renasces com o inverno na eterna dança circular da vida,
Dança da vidaàs vezes, alguém te reconhece e te nomeia... Teus nomes já
foram muitos: Krishna, Buda, Mitra, Dionísio Adonis, todos
deuses solares do Solstício, todos gerados por minhas faces
virginais.
Sempre nascerás de mim, serás a criança da Promessa
Divina e crescerás correndo por minha face terra espalhando
suas sementes; serei a donzela de seu destino. Iremos nos unir
na primavera, e nossos frutos florescerão pelo planeta. Nosso
amor sustentará eternamente o mundo... Quando chegar a hora,
irás te entregar em grãos aos nossos filhos e irás te deixar cair em
meus braços, pois sentirás o fio de minha lamina a te ceifar. Teu
sacrifício será para que todos se nutram. Farei de teu túmulo
meu corpo, assim sentirás a terra se transformando em útero e
adormecerás novamente em meu ventre. De tua face, Senhor da
Morte, renascerás outra e outra vez, a cada inverno! Pois este é o
grande mistério que rege a vida, a eterna dança circular do amor.


Voltando a Jesus...

A data do nascimento de Jesus Cristo é e sempre será uma incógnita, à partir de 20, 22 ou 25 de dezembro eram as datas em que os pagãos celebravam sua festa de solstício de inverno, quando acontece a noite mais longa do ano pelo hemisfério Norte. O dia em que Jesus Cristo nasceu não consta na Bíblia, foi uma escolha da igreja 5 séculos depois, primeiro porque nas condições que são descritas seu nascimento, isso não aconteceria no inverno, ninguém sobreviveria. Tudo bem estamos falando de Jesus, mas ele era mortal assim como sua mãe, tanto que foi morto. Ele nasceu na primavera, a igreja mesmo confirma isso. e mais... Pense: Se o Calendário começa no seu nascimento pelo menos deveria ser no dia 1 de janeiro. ops!

Mas esclarecimentos à parte é Natal! Alguns pagãos mais sisudos dirão que não comemoram o Natal, que aqui no Brasil, hemisfério Sul, o solstício de inverno acontece em 21 de junho e que agora, não podemos de forma alguma comemorar o nascimento de qualquer Deus solar no auge da força solar, dirão mais, que Jesus não é um Deus solar!!! e estão certos, mas estão cometendo um grave e grande erro: Repetindo o passado! a intolerância e o preconceito!



Como já disse várias vezes;
Resgatar a antiga religião não é, de forma alguma, pregar
dogmas antigos e, muito menos, desconsiderar a evolução
espiritual de nosso planeta. Resgatar a antiga religião é retomar
o caminho de ligação ao Divino e, com certeza, isto inclui a
experiência espiritual adquirida pela humanidade ao longo dos séculos.
Não há como ignorar a sabedoria, o conhecimento e a
eficácia de outras religiões. Basta abrir as janelas para o Divino e
reconheceremos rituais ancestrais, onde mudam somente os
traços pessoais do artista que os transcreve em sua tela da vida. A
própria atividade mágica nos mostra, diariamente, a energia
espiritual de outras crenças, atuando ao nosso lado e interagindo
com nossa magia. Não considerar a união de experiências e os vários caminhos que levam ao Divino é repetir o erro do passado. Não precisamos combater outras religiões e nem queremos impor a
nossa, pois reconhecemos as várias faces de nossa Deusa.


Como dizer que é errado comemorar o Natal sendo que este foi copiado dos meus festejos ancestrais? Como ser contra simplesmente por intolerância? Dizer-se pagão e resgatar a Antiga Fé, sem ver a necessidade de esclarecer a todos a verdadeira origem do Natal!

Meu Deus Solar retorna em junho, porque sou pagã e moro no hemisfério Sul!!!

Mas Feliz Natal!
a todos aqueles que seguem o Sol!" - Texto de Luciana Machado.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Fora do Eixo e o Menino Mogli

Toda a vez que eu vejo alguém defendendo com unhas e dentes alguma coisa, seja esta uma teoria, filosofia, projetos ou afins, eu observo com um olhar mais atento, para entender o verdadeiro significado de tal voracidade. Há tempos, o tema principal nas " time lines" da cultura nacional é o Fora do Eixo. Hoje comecei a entender algumas coisas, após ver o vídeos do arrogante "Menino Mogli Caipira", Pablo Capille, presidente, ou melhor, líder do grupo Fora do Eixo, que na realidade não querem ficar fora da mamata. Acredito sim, que toda essa fumaça está sendo feita, contra as bandas e festivais comerciais, para não alarmar o governo, que nosso país não precisa aplicar nosso dinheiro nesse tipo de coisa. Pois eventos musicais comerciais andam, bem ou mal sozinhos, nosso país precisa sim aplicar o dinheiro que vai para os bolsos da cultura Fora do Eixo, em coisas mais importantes como saúde, alimentação e educação, e não me vejam dizer que a cultura é uma maneira de educar, não essa cultura que eles levantam a bandeira, esse dinheiro só tem financiando a vagabundagem de um grupo.

Clique e assista parte do vídeo e o comportamento desse cidadão.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Feliz aniversário.


Sinceramente, nunca entendi muito bem a comemoração da data de aniversário. Sempre questionei os motivos. Comemoramos o quê? O fato de ficarmos mais velhos ou passarmos por mais aquele ano ileso? Foram poucas as vezes que eu comemorei essa data de fato, com festa e tudo mais. Mas confesso que nos últimos anos acho legal esse negócio de receber mensagens pelas rede sociais. Aliás, encontrei uma maneira de ser mais sociável. Meu psiquiatra diz que existem várias pessoas assim e isso não é exclusividade do meu comportamento. Pois é. Sendo sincero, hoje comemoro o meu aniversário para receber parabéns pelas redes. Acho que é isso mesmo. É legal esperar as mensagens chegarem. A noite toda fiquei escutando o “pirulin-pirulin” do iPad tocando na sala. Divertido. Mas o café na cama... Ainda foi o melhor de tudo até agora. Obrigado pelo carinho.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Pena, nossos "mendigos" não falam inglês...


Não existe a menor possibilidade de alguém falar que o projeto internacional “Playing For Change” é ruim. Muito pelo contrário, um belo projeto de inclusão social através da música, assim como vários que existem no Brasil, sem diferença alguma, a não ser quem consome esse tipo de iniciativa.
Mesmo? Sim, a impressão que temos quando uma cidade abre espaço para o projeto “gringo” é que os consumidores de cultura da nossa cidade possuem cabeça aberta e são adeptos a cultura de integração global e de inclusão. Mentira, balela e atitude para inglês ver. Claro que estou falando de uma maioria e não da totalidade. Eu duvido que mais de 10% das pessoas que foram ver os shows do “Playing for Change” no Brasil, pagassem ingresso para ver, por exemplo, o show dos Meninos da Lata, da organização Arte na Lata.
Mas qual a diferença? Pra mim nenhuma, eu de fato não iria em nenhum deles, mas o que realmente falta é um pouco de coerência nas coisas. Digo isso porque o grande motivo e exaltação ao projeto de fora é exatamente porque os músicos são pessoas carentes, com necessidades e tem a música de rua a única fonte para se manter através de doações. Igual aos projetos do Brasil, mas os nossos “mendigos” não falam inglês, e isso é muito importante para quem consome “cultura”. Pense. Reflita.
Para conhecer mais sobre os dois belos projetos clique:

Obs: Existem outros projetos tão importantes quanto o "Arte na Lata"no Brasil, usei esse exemplo apenas para ilustrar.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pague para ver um show, mas por lei você é obrigado a assistir dois.


Parei para escutar o depoimento do Lobão sobre o festival de música Lollapalloza. Gosto sempre das posições do Lobão, mesmo neste caso discordando de algumas coisas, mas como tudo, quando colocado de forma inteligente devemos ao menos escutar ou ler para refletir.
Primeiro que é utópico dizer que os produtores do país de shows e festivais de grande porte, estão preocupados com a cultura. Mentira. Nenhum deles está, sinceramente a relação que está em jogo é: atração x interesse do público x receita de bilheteria. Eles estão errados? Obvio que não. É um negócio e ninguém faz qualquer negociação para perder dinheiro. O erro é achar que esse eventos são feitos pensando romanticamente em cultura. As atrações nacionais muitas vezes são de fato para preencher espaço para dar algo mais para o público. Coisas do negócio, acredito que as bandas que estão começando entendem esses espaços como oportunidades.
Existe ainda a imposição de algumas leis. Pois é, somos um país democrático que ainda existem imposições à sociedade privada que normalmente geram custos sem contrapartida alguma. Essas leis que obrigam o produtor a colocar um artista local quando é feito um show internacional é um atentado ao dinheiro alheio e um desrespeito com o público. O público paga para ver um determinado artista, mas o governo determina que é necessário dar uma “oportunidade” aos artistas locais, isso sempre vai gerar um custo técnico, já que o artista principal não tem a mínima obrigação de dividir seu equipamento. Por esses motivos que muitas vezes o artista nacional é colocado em determinados horários. Pense. Reflita.

Segue o vídeo do Lobão:


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Existem mais dúvidas nos Ministérios do Brasil


Por uma questão profissional, não posso deixar nunca de observar as movimentações que a Cultura Nacional faz com o dinheiro público. Sempre disse que existe uma grande falta de coerência nos incentivos fiscais em prol da “cultura”. As Leis de Incentivo tornaram-se verbas fiscais dentro de muitas empresas, acabando com as verbas de marketing, além disso, muitas empresas privadas de produção cultural utilizam esses benefícios para ampliar suas receitas e não para facilitar os projetos. Ampliar? Sim, ampliar, pois além do incentivo legal manipulam orçamentos para ter as receitas de venda de ingresso dentro de seus cofres. Enfim, estou falando isso há horas, alguns deputados tanto federais quanto estaduais estão sabendo disso. Sempre dou um jeito das manifestações chegarem até eles.
De fato alguma coisa está mudando, mesmo que muito devagar, as denúncias vem  fazendo com que as garras ferozes de alguns produtores sejam aparadas, porém está surgindo na mesma forma e por outra via, alguns projetos estranhos. Antes dos projetos estranhos, existem alguns produtores que vem fazendo um belo trabalho independente e as claras, fazendo um excelente intercâmbio musical entre os estados e até entre os países da América do Sul, levando a música independente que muitas vezes está ainda muito longe de tocar nas grandes redes de rádio, à um público carente de coisas novas. Posso dar nomes a esses sérios produtores: Senhor F, com o “El Mapa de Todos”e suas “noites” em Porto Alegre e o Rei Magro com suas “maluquices” nas segundas. No mais, fica um tanto difícil achar outros. Em compensação está cada vez mais crescente produtoras privadas que estão sendo bancadas com o dinheiro público. Como? Não sabemos, elas surgem já surgem grandes e com sede em várias capitais do país. Como assim? E aquelas produtoras que estão ao longo do tempo batalhando um lugar no mercado? Passaram desapercebidas? Não acredito! Eu acredito sim é na maracutaia que como em tudo nesse país se faz presente, quando as verbas são públicas, por que não na cultura, já que é um assunto tão distante dos grandes interesses sociais? Fica mais fácil roubar, pois o destaque da grande imprensa, normalmente é na agricultura, na fazenda, nos transportes... Atenção senhores, muita atenção. Tem mais ladrão espalhados por outros Ministérios do Brasil.

Abaixo um excelente texto do Fernando Rosa:

Não centralizar a descentralização!

* Fernando Rosa

A crítica do China ao “Fora do Eixo” traz à tona um tema que fervilha nas rodas independentes nacionais. A bem da verdade, não se trata de um assunto tão atual assim, inclusive já objeto de textos anteriores e acalorados debates. O centro da questão é sempre, sintetizando, o “cachê” que não é, ou não seria pago, pelos produtores independentes, ou, no caso, os ligados ao FdE.

Isso é apenas a superfície do problema, que é muito mais amplo e profundo do que aparenta nesses debates travados via “posts” e comentários. Sou produtor, tenho selo, edito um portal, faço curadoria e não me acho capaz de ter uma “opinião formada sobre tudo”. Por isso, é difícil sentir-se à vontade de entrar no debate quando o tom é a crítica frontal, do “errado” e do “certo”, num tom reducionista.

Em primeiro lugar, é preciso entender que vivemos uma época contraditória, com mudanças de paradigmas de produção, distribuição e consumo de música. Isso provoca profundas mudanças estruturais no “sistema/mercado” e, em decorrência, a disputa de avaliação sobre a realidade, causas e conseqüências. Os defensores das estruturas em superação se apegam ao passado, os que advogam o novo saudavelmente chutam o balde.

O que acredito seja principal nesse momento é ter maturidade para enfrentar uma discussão aberta, franca, honesta sobre todas as questões. Sejam os produtores ligados ao FdE, a Abrafin, ou independentes de qualquer estrutura, todos foram responsáveis por impedir que a falência de um sistema sufocasse a produção musical nacional. É importante também destacar o papel do Estado que, nesse período recente, aliou-se aos “mais fracos” para fortalecer a construção de um novo cenário, e também de diversas casas de shows que abriram suas portas para as novas produções.

Abrir um debate desqualificado neste momento é desprezar o profundo acúmulo histórico que artistas, produtores e gestores públicos conquistaram nos últimos anos no país. Na esteira de festivais históricos como o Abril Pro Rock, Porão do Rock e Goiânia Noise, e facilitados pelas novas redes sociais, centenas de outros festivais e iniciativas culturais surgiram em todo o Brasil. Como somos um país gigantesco, as formas de organização, as diferenças regionais, os tipos de festival, as condições de produção, não podem seguir um padrão.

Nós realizamos um festival “exemplar”, como definiram a última edição, o El Mapa de Todos, com pagamento de cachês, passagens aéreas, hotel e alimentação, mas nem por isso acho que isso deva ser regra geral. Ao mesmo tempo, organizamos a Noite Senhor F, em Porto Alegre, na qual trabalhamos com participação na bilheteria, sem cachês fixos. No primeiro caso, fruto do nosso trabalho cultural e qualificação, um patrocínio sustenta a nossa ação, mas no dia-a-dia enfrentamos um cenário de “construção de público”, por diversas razões, resistente ao novo.

Não existe, portanto, nenhuma fórmula hegemônica, nenhum pensamento superior, capaz de pautar formas de organização, ou de determinar algum tipo de caminho para o movimento em curso. Ao contrário, as porteiras estão abertas para qualquer um buscar alternativas para a sua banda, seu festival, seu projeto coletivo ou particular. É preciso não centralizar a descentralização, apenas se colocar no jogo de forma honesta, sincera, sem truques mercadológicos ou disfarces ideológicos.

O “sonho pop americano” acabou, a internet promoveu uma revolução nas relações de produção em geral, inclusive da música, mas nem tudo está resolvido, ao contrário. Os artistas precisam circular, ter espaços para mostrar sua música, mas também precisamos construir formas de remuneração concreta para viabilizar as carreiras. Isso não se limita a cobrar “cachês” de quem quer seja, mas exige postura auto-gestionária dos artistas, democratização dos meios de comunicação e maior incentivo público à cultura, especialmente na formação de público.

A meu ver, para encerrar, além dos temas relacionados com a circulação e a remuneração, acredito que seria também interessante ampliar o debate para a qualidade da produção musical nacional. Muitos são os críticos ou defensores das “estruturas”, mas poucos questionam a qualidade estética e cultural do que se produz atualmente. O Brasil tem espaço para todos que buscam construir novas pontes ‘rumo ao futuro’, sem ranços ideológicos, discursos hegemonistas ou acomodação “artística”.